Saber o que fazer durante um ataque de pânico pode ajudar a acolher a experiência e buscar apoio. Antes de aplicar qualquer técnica, considere a segurança: sintomas novos, intensos ou diferentes do habitual precisam de avaliação, pois pânico e problemas físicos podem parecer semelhantes.
O que fazer durante um ataque de pânico: segurança e apoio
No Brasil, dor no peito nova ou intensa, falta de ar importante, desmaio ou suspeita de emergência exigem atendimento imediato. Acione o SAMU pelo 192. Não use este texto para descartar uma urgência.
Um episódio de medo intenso pode vir acompanhado da sensação de perder o controle ou de que algo grave vai acontecer. O sofrimento é real, mesmo quando não existe uma ameaça externa evidente. Quem acompanha pode ajudar ouvindo e evitando críticas, pressa ou ordens para simplesmente se acalmar.
O ataque de pânico envolve uma elevação súbita de medo ou desconforto que atinge grande intensidade em poucos minutos. Pode ocorrer em situações temidas ou de forma inesperada. Ter um episódio não significa automaticamente apresentar transtorno do pânico; esse diagnóstico depende de avaliação profissional.
Compreender algumas respostas do corpo e do pensamento pode orientar o cuidado. As quatro propostas adiante não garantem interromper uma crise e não substituem um plano construído com um profissional que conheça sua história e suas condições de saúde.
Como sensações e medo podem se reforçar
Uma metáfora usada para explicar o pânico é a de um alarme que dispara sem uma ameaça proporcional. No modelo cognitivo, certas sensações podem ser interpretadas como sinais de catástrofe, ampliando o medo. Essa é uma formulação clínica útil, não uma explicação única sobre todo episódio.
O esquema a seguir ilustra uma possível interação entre sensações, interpretações e medo:
Sensação ou situação percebida
↓
Interpretação de ameaça
↓
Medo e respostas corporais
↓
Maior atenção às sensações
↓
Aumento do medoPor exemplo, perceber o coração acelerado e concluir imediatamente que há uma catástrofe pode aumentar a vigilância e a tensão. O trabalho terapêutico examina essas interpretações depois de considerar causas físicas relevantes. Não é seguro concluir, pela leitura de uma lista, que palpitações ou dor no peito são apenas ansiedade.
Sintomas que precisam ser compreendidos no contexto
Entre os sintomas que podem acompanhar uma crise estão os exemplos abaixo. A lista tem finalidade informativa: não funciona como teste para confirmar pânico ou excluir outras condições. A avaliação considera o conjunto dos sintomas, o contexto, a recorrência e o impacto na vida:
- Palpitações ou sensação de coração acelerado.
- Suor, tremores ou agitação.
- Sensação de dificuldade para respirar.
- Dor ou desconforto no peito.
- Náusea ou desconforto abdominal.
- Tontura ou sensação de instabilidade.
- Despersonalização: sensação de distanciamento de si.
- Desrealização: sensação de que o ambiente parece estranho ou irreal.
- Medo de perder o controle.
- Medo intenso de morrer.
- Formigamento ou dormência.
- Calafrios ou ondas de calor.
Medo de novas crises e evitação
A intensidade costuma diminuir com o tempo, mas a duração varia e pode haver ondas de sintomas ou cansaço depois. Não existe um limite de minutos que, sozinho, confirme o diagnóstico. Sintomas persistentes, diferentes ou preocupantes precisam de avaliação.
Após uma crise, pode surgir medo de que ela se repita. Essa ansiedade antecipatória leva algumas pessoas a vigiar continuamente o corpo ou buscar garantias. Reconhecer o padrão ajuda a discutir um tratamento, sem concluir que ele necessariamente ocorrerá com todos.
Evitar transporte, filas ou locais de difícil saída pode reduzir gradualmente as atividades. A agorafobia envolve medo de situações em que escapar ou receber ajuda parece difícil e precisa de avaliação própria. Nem toda evitação após uma crise equivale a agorafobia.
O que fazer durante um ataque de pânico: 4 cuidados
Ao pensar em o que fazer durante um ataque de pânico, comece por verificar se o local é seguro e se há sinais de urgência. Se estiver dirigindo, pare em segurança. Para episódios já avaliados e semelhantes aos anteriores, estas quatro estratégias podem complementar as orientações recebidas:
1. Usar um diálogo interno acolhedor
Use uma frase simples e compatível com a situação, como: “Estou sentindo muito medo. Posso buscar apoio e seguir o plano que combinei com meu profissional.” Quando um episódio já foi avaliado como pânico, lembrar desse contexto pode ajudar. Evite garantir a si ou a outra pessoa que todo sintoma é inofensivo sem avaliação.
2. Respirar de forma suave, sem forçar
Se perceber que está respirando muito rápido, procure um ritmo suave e confortável. Forçar grandes inspirações ou prender o ar por longos períodos pode aumentar o desconforto. Não é necessário cumprir uma contagem exata; experimente apenas se isso lhe fizer bem:
- Encontre uma posição confortável, se possível com apoio.
- Deixe o ar entrar e sair suavemente, sem prender a respiração ou exigir uma inspiração profunda.
- Se o exercício piorar a tontura ou o desconforto, pare. Não respire em saco de papel; procure ajuda quando necessário.
3. Observar o ambiente: método 5-4-3-2-1
Observar elementos do ambiente pode ajudar a direcionar a atenção para o presente. O exercício 5-4-3-2-1 é uma possibilidade, não uma obrigação nem uma técnica que funciona igual para todos. Adapte os sentidos disponíveis e interrompa se ficar desconfortável:
- Observe até 5 coisas que consegue ver.
- Perceba 4 pontos de contato ou texturas, sem tocar algo perigoso.
- Identifique 3 sons do ambiente.
- Note 2 cheiros, se houver, sem buscar substâncias irritantes.
- Perceba 1 sabor já presente na boca, ou apenas retorne a atenção ao ambiente.
4. Reduzir a cobrança e pedir apoio
Tentar eliminar cada sensação imediatamente pode aumentar a vigilância. Se for possível e seguro, reconheça que está passando por um momento difícil e permita algum tempo para a intensidade mudar. Peça companhia ou ajuda. Não conseguir relaxar não é fracasso e não deve atrasar atendimento quando há sinais de urgência.
Avaliação e possibilidades de tratamento
O pânico não precisa ser interpretado como prova de fraqueza ou como simples resultado de ter ultrapassado um limite de estresse. Diferentes fatores podem participar. Uma avaliação investiga a história dos episódios, condições físicas, medicamentos, substâncias e outros aspectos importantes para escolher o cuidado.
Existem tratamentos para o transtorno do pânico, incluindo psicoterapia e, em alguns casos, medicação prescrita. A terapia cognitivo-comportamental é uma abordagem utilizada. Para discutir acompanhamento com Pablo Leonardi, consulte a terapia online por Google Meet, em português e espanhol. Aprender o que fazer durante um ataque de pânico é parte de um cuidado continuado.
Bibliografia e referências
- National Institute of Mental Health. Panic Disorder: What You Need to Know. Informação pública sobre sintomas, avaliação e tratamento.
- Clark, David M. A cognitive approach to panic. Behaviour Research and Therapy, 24(4), 461–470, 1986. Artigo sobre o modelo cognitivo do pânico.
- National Health Service. Panic disorder e Breathing exercises for stress. Orientações públicas em inglês.
- Ministério da Saúde. SAMU 192. Atendimento móvel de urgência no Brasil.

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